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Nós duas

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Às vezes penso que sou duas. Uma para mim, e uma para os outros. É confuso eu sei, mas quem disse que viver é fácil?
A pessoa que eu sou para os outros é totalmente diferente da que eu sou para mim. Ela é tímida, é calada, é alegre, às vezes até divertida, gosta de festas, tem muitas amigas, tira notas razoáveis, todos na família a acham uma adolescente comum, com uma vida comum. Ela acorda cedo todos os dias, vai pra escola, encontra as amigas, não tem uma vida muito interessante, na verdade, ela tem uma vida bem sem graças, sem sal. Uma rotina de escola-casa e vice-versa, não sai muito. Está preocupa, esse ano tem vestibular, Enem, a escolha para o seu futuro. Ela é pressionada e cobrada pelos pais. Ela se sente infeliz, sufocada, e sua vida é um grande tédio. Às vezes ela se sente invisível, e é como se fosse mesmo, invisível. As pessoas até que acha ela legal, nada de mais, apenas legal. Mas existe a outra, a clandestina, ninguém a conhece, a não ser eu mesma. Ela é tudo o que a outra sempre quis ser, mas não é, por medo, ou talvez seja auto-proteção. Ela tem tantos segredos, medos, anseios, dúvidas, sonhos, ela tem seus mistérios. Ela ama, ela sente, ela voa. Ela é solitária, gosta de silêncio. Ela vive em um mundo a parte, no meu mundo a parte, no meu eu – interior. Esse mundo que é só meu, e que ninguém jamais entrou, jamais descobriu ou desconfiou. Nele eu sou eu mesma, quem eu quero ser. Nele a minha vida não tem rotina, não é entediante, não é chata. Ah! Mas as duas me sufocam, as duas me prendem; são dois caminhos e os dois são um beco-sem-saída. As duas querem crescer, querem viver e ser feliz, as duas está à procura de algo que eu ainda não sei o que é. As duas sentem saudades. As duas querem FUGIR.
por: Amanda Cristina.

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